sábado, 23 de setembro de 2017

Bushido: O código dos Samurais pode ajudar o sobrevivencialista?






Bushidō, era o código utilizado pelas castas guerreiras do Japão, os Samurais, que significa "Caminho do Guerreiro", sendo que seus  preceitos  tornaram-se a base do treinamento ético para toda a sociedade. Honra, coragem,  habilidade nas artes marciais e lealdade ao mestre entre outras coisas, são as atribuições que um membro dessa sociedade deveria ter. Mas será que essa base sólida que os samurais criaram na época para sua sobrevivência frente a batalhas e dificuldades do seu dia a dia poderia ser útil para o sobrevivêncialista urbano de hoje?






Contexto histórico 




Já no século 8,  homens militares estavam escrevendo livros sobre o uso e a perfeição da espada. Eles também criaram o ideal do poeta guerreiro, que era corajoso, bem educado e leal.

No período médio dos séculos 13 ao 16, a literatura japonesa celebrou a coragem imprudente, devoção extrema à família e ao próprio senhor e cultivo do intelecto para os guerreiros. A maioria das obras que lidavam com o que mais tarde se chamaria bushido dizia respeito à grande guerra civil conhecida como a Guerra de Genpei de 1180 a 1185, que colocou os clãs de Minamoto e Taira um contra o outro e deixou a base do período de Kamakura da regra do xogunato .

A fase final do desenvolvimento do bushido foi a era Tokugawa, de 1600 a 1868. Este foi um tempo de introspecção e desenvolvimento teórico para a classe guerreira samurai porque o país era basicamente pacífico durante séculos. O samurai praticou artes marciais e estudou a grande literatura de guerra de períodos anteriores, mas eles tiveram poucas oportunidades para colocar a teoria em prática até a Guerra Boshin de 1868 a 1869 e a posterior Restauração Meiji .





Como nos períodos anteriores, o samurai de Tokugawa procurou uma era anterior e mais sangrenta na história japonesa para a inspiração - neste caso, mais de um século de guerra constante entre os clãs daimyo.


Depois que a classe dominante samurai foi abolida na sequência da Restauração Meiji, o Japão criou um exército de conscritos moderno. Os nacionalistas japoneses e líderes de guerra continuaram a atrair esse ideal cultural ao longo do início do século 20 e da Segunda Guerra Mundial. O código foi oficialmente abandonado com a derrota do Japão em 1945. Os elementos do código permanecem, no entanto, na prática das artes marciais japonesas.




Princípios do Bushido



Justiça, coragem, benevolência, respeito, sinceridade, honra, lealdade e autocontrole, lealdade, etiqueta, educação e noção de gratidão eram  coisas que o Bushido pregava. Um samurai honrado deveria ser leal ao seu daimyo (senhor feudal), Shogun e Imperador. As restrições específicas do bushido variaram, no entanto, ao longo do tempo e de um lugar para outro no Japão.

Bushido era um sistema ético, em vez de um sistema de crença religiosa. Na verdade, muitos samurais acreditavam que eram excluídos de qualquer recompensa na vida após a morte de acordo com as regras do budismo, porque eles foram treinados para lutar e matar nesta vida.


O guerreiro samurai ideal deveria ser imune ao medo da morte. Somente o medo da desonra e a lealdade a seu daimyo motivaram o verdadeiro samurai.

Se um samurai achasse que ele perdeu sua honra (ou estava prestes a perdê-lo) de acordo com as regras do bushido, ele poderia recuperar sua posição ao cometer uma forma bastante dolorosa de suicídio ritual, chamado " seppuku ".

Enquanto os códigos de conduta religiosos ocidentais proibiam o suicídio, no Japão feudal era o máximo em bravura. Um samurai que cometeu seppuku não só recuperaria sua honra, ele realmente ganharia prestígio por sua coragem em enfrentar a morte com calma. Isso se tornou uma base cultural no Japão, tanto que as mulheres e os filhos da classe samurai também deveriam enfrentar a morte com calma se fossem apanhados em uma batalha ou cerco.



Gi – Justiça, Retidão e Honestidade





Como já foi abordado em outras postagens, um verdadeiro sobrevivencialista segue o caminho do cão pastor, protege o rebanho dos lobos. Para isso sempre devemos manter integra a nossa bussola moral para podermos nos orientar em nossas decisões do dia a dia. Desde coisas pequenas como nossas relações com as pessoas que nos cerca até decisões maiores. Ser ético, vai manter o sobrevivencialista em equilíbrio no seu caminho, evitando que ele se torne agressivo ou submisso.  Afinal ser bom ou mau é relativo, não se pode ser bom com todos ou mau com todos, mas ser justo é gratificante. Você torna seu espirito mais forte, e ao mesmo tempo você poderá ser um bom líder quando a situação mandar. Acredite sempre na Justiça, não a que é dada pelos outros, e sim na sua própria.






2. Yuu – Coragem, Bravura heroica




Muitas pessoas confundem ser herói com ser suicida, ou agir de forma inconsequente. Coragem é você ter força de caráter para se impor contra as injustiças. Seja processualmente, administrativamente ou até fisicamente se não houver outro recurso. Ser omisso é o que nos trouxe ao quadro atual do pais. Acreditar naquela frase: "Pior do que tá não fica". Se fortaleça mentalmente, estude, leia, pesquise assuntos diversos. Se fortaleça espiritualmente,  encontre a sua bussola moral, crie o seu código de conduta, por meio do seu aprendizado e experiência e siga. E por ultimo se fortaleça fisicamente, pratique esporte, aprenda lutas, aprenda a usar armas. Adquira o espirito Espartano de forma mental, espiritual e física. Ficar escondido não é a melhor maneira de encarar a vida. Você deve se esforçar para viver ao máximo e intensamente. Mas ser corajoso não é ser um idiota. Você deve ter inteligência e cautela por trás de seus atos. Substitua o medo pelo respeito e cautela.


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  Jin – Compaixão, Benevolência




Não confunda compaixão, com hipocrisia. Não se deve proteger aquele que quer te matar ou atacar seu rebanho. Compaixão é você doar o seu tempo por aqueles que precisam. Todo mundo tem uma coisa de que gosta de fazer tocar violão, contar história, ensinar, lutar.  Use seus talentos e para se aproximar e ajudar as pessoas que muitas vezes estão sem esperanças. Creches, hospitais, crianças com câncer. Mas no que isso ajuda um sobrevivencialista? Se você cuidar das pessoas e ajuda-las  você melhorará um pouco o mundo e a possibilidade das sementes de suas ações florescerem e essas pessoas que você ajudou passar adiante é muito grande. Um samurai treina arduamente para fazer o bem.   Amor, amizade, solidariedade e nobreza de sentimentos são considerados como os maiores atributos da alma. Ajude seus colegas em todas as oportunidades que houver.




4. Rei – Respeito, Polidez e Cortesia


 Educação não é sinônimo de valentia, assim como violência desmotivada não é sinônimo de coragem. Na verdade violência e coragem estão em direções opostas, Na coragem você tem pleno conhecimento de quem você é. A pessoa que quer ser definida como cruel, é insegura e quer ser definido pelo que as pessoas vem nele. Respeito, polidez e cortesia são qualidades que trarão respeito e admiração mesmo das pessoas que não gostam de você, pois vão ver você como uma pessoa equilibrada e preparada para qualquer situação.







5. Makoto – Honestidade, sinceridade absoluta


Quando um samurai diz que vai fazer algo, é como se já tivesse feito. Nada vai impedi-lo de cumprir uma promessa. Para um sobrevivêncialista isso também é um traço de um líder ter metas possíveis dentro de determinado cenário de crise, e não fazer promessas vazias, além dos integrantes do grupo o respeitar, confiaram sempre em suas decisões.

6. 名誉 Meiyo – Honra, Glória



O verdadeiro samurai só tem um juiz de sua honra: ele mesmo. As escolhas que você faz e como você trabalha para obtê-las são um reflexo de quem você realmente é. Você não pode se esconder de si mesmo. Um samurai jamais poderia se entregar e deveria estar sempre preparado para a morte. O importante é que um samurai jamais pode fugir de uma luta, mesmo apenas um único samurai contra um exército de oponentes.

 O samurai também deve estar sempre do lado da justiça, para um sobrevivêncialista é sempre importante lutar pelo que acredita pela sobrevivência das pessoas a sua volta, pela sociedade e pela vida no planeta. Não deixar coisas que considerá prejudiciais a todos deixarem passar, proteger o que  ama com seu coração, não só de maneira física quando precisa, mas também com o uso do devido processo legal e fazendo valer os seus direitos constitucionais. Ter honra para um sobrevivencialista é você lutar por tudo isso, sem se entregar a covardia. Ser sobrevivencialista é ter uma sobrevida altamente funcional com muita preparação e não cavar um buraco e deixar tudo a sua volta que estima desabar.


 

7. Chuu – Dever e Lealdade


Esse item abrange praticamente todos os outros, já que é uma junção das qualidades anteriores: lealdade, fidelidade, coragem, justiça, educação, humildade, compaixão, honra e acima de tudo, viver e morrer com dignidade”. Quando aplicamos esses princípios em nossa vida conseguimos melhorar nosso potencial humano. Um samurai é extremamente leal àqueles que estão sob seus cuidados. Por quem ele é responsável, ele permanece fiel. “A palavra de um homem deve ser como sua impressão digital: Você deve levá-la aonde quer que vá. Ele tem o dever de zelar pela seus entes queridos e ajudar a preservar o mundo a sua volta e sempre agir de maneira integra. Se um sobrevivencialista é ser uma pessoa de valores, e principalmente é leal a eles.








Viver plenamente









Se o guerreiro tem plena consciência da morte, evitará conflitos, estará livre de doenças, além de ter uma personalidade com muitas qualidades e diferenciada às dos demais seres humanos. O guerreiro vive o presente sem se preocupar com o amanhã, de modo que quando contempla as pessoas, sente como se nunca mais fosse vê-las novamente e, portanto, o seu dever e consideração às pessoas serão profundamente sinceros.


 O verdadeiro guerreiro é aquele que aceita a morte, dessa maneira, ele não se meterá em discussões desnecessárias que venham a provocar um conflito maior, já que assim ele pode acabar sendo morto e isso resultaria na sua desonra ou afligiria a reputação e nome de sua família. Se a ideia de morte é mantida, será cuidadoso e susceptível de ser discreto e não dirá coisas que ofendam às outras pessoas. Diante disso podemos ver claramente que os samurais eram absolutamente sobrevivencialistas, além de viver em uma sociedade autossuficiente. Viviam da preparação treinando fazendo espadas. E por último aceitar todo o momento como o ultimo e viver plenamente cada segundo, e ser uma pessoa que tem uma sobre vida, que é justamente a caminhada do sobrevivencialista.







Conclusão

 

 

Sobrivêncialista não significa adotar a frase os fins justificam os meios. O verdadeiro sobrevivencialista se prepara, com equipamentos, estoques, técnicas, fisicamente, mas acima de tudo a sua mente e seu espirito, isso lhe dará preparo para situações difíceis. Com seu código pessoal você terá uma diretriz para lhe servir de guia e isso não só lhe ajudará, como também as pessoas que te cerca. Honra, coragem, respeito, lealdade ao contrário do que prega o relativismo moral adotada pelo grande rebanho, não são valores ultrapassados. São sistemas de fortalecimento e do auto conhecimento que lhe deixará preparado para os males que virão, ou ao menos lhe dará suporte emocional para você não se desestabiliza e poder traçar uma saída. 

Os samurais eram sem sombra de dúvida, sobrevivencialista, além da auto suficiência e preparação viviam cada momento ao máximo e acima de tudo lutavam pelo que acreditavam.

Espero que tenham gostado. Dúvidas, sugestões, deixem nos comentários. Se gostaram de um curtir e compartilhem muito obrigado.

 


                               Prof. Marcos Antônio Ribeiro dos Santos






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