quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Combate Urbano: Gerenciando o medo frente a agressão





O medo é um sentimento normal, é um fenômeno protetor que nos permite aumentar nossas chances de sobrevivência  situações de perigo. Porém, as vezes, a vítima frente uma situação de confronto é dominada por um  sentimento de medo, causando até paralisia, não conseguindo reagir, muitas vezes mesmo com algum conhecimento de luta ou em alguns casos até mesmo armado.

Portanto,  vamos entender o mecanismo do medo para melhor gerenciá-lo e como reagir a agressores que fazem do medo a sua arma. 




O que é medo em nossos cérebros, e como usa-lo a favor?



A teoria clássica chamada de cérebro trino, elaborado pelo neurocientista Paul MacLean, não considera o cérebro como um todo homogêneo e único, mas sim como um sistema de camadas sucessivas de dentro para fora. Há o cérebro reptiliano, o cérebro mamífero (ou límbico) e o córtex (ou neocórtex).

Acredita-se que à medida que a evolução avançou, as camadas se sobrepuseram a dar esse cérebro de tripla espessura no primata humano, cada uma com um foco específico:

 O cérebro reptiliano induz os comportamentos intuitivos automáticos,  do homem ao seu ambiente, em caso de situação de perigo que requeira reflexos de sobrevivência, como: busca de água e alimentos, pesquisa territorial e de abrigo, pesquisa de parceiros sexuais, vigilância e defesa de alimentos, recursos territoriais, bem como todas as linguagens não verbais,incluindo sinais sonoros, associado a esses comportamentos: intimidação, ameaça, submissão, cooperação, sedução, grunhidos, gritos ...

O cérebro de mamífero, ou límbico,  excede o domínio automático de ação. Ele reage ao meio com  emoções associadas a comportamentos básicos: alegria, medo, raiva, tristeza, memorização de experiências em memória de longo prazo (isto é o que nos permite evitar a reprodução de comportamentos que conhecemos nos prejudicou no passado, ou mais simplesmente aprender um idioma e reutilizá-lo. Existe a filtragem do comportamento automático, ou seja reação a um estímulo não será mais instintivo, mas variável de acordo com da situação.

E finalmente  o neocórtex: é a parte do cérebro que caracteriza o homem, abstração e cognição são produzidos nessa área. O córtex representa a grande parte do tamanho do cérebro.  Através da aprendizagem, o ambiente, a experiência, as conexões neuronais serão modificadas, criadas e destruídas, dependendo da experiência do indivíduo. Ele permite o uso de uma linguagem elaborada para processar as informações de forma muito completa: recombinação de dados memorizados para imaginar soluções inovadoras, raciocínio lógico, simulação mental (capacidade de prever o fim de uma cenário que você constrói em sua mente).



Com isso fica mais fácil entender como funciona nosso cérebro em situação de perigo. Em situação em que houver um perigo real, iminente ou presente, os dois cérebros mais profundos (ou seja, reptilianos e mamíferos) sobrepõem o córtex cerebral, ou seja a parte instintiva e ligada a emoção, vão comandar e mandar a adrenalina e demais alterações que você precisa para atacar ou fugir. Nosso córtex está neste momento praticamente fora da equação, servindo apenas de papel consultivo. Quanto maior a  ameaça mais o córtex será afastado, daí a necessidade de quando for procurar um sistema de autodefesa, sempre visar um com mínimo de movimentos e extremamente brutal. Mesmo porque uma das coisas que você irá perceber que a coordenação motora fina, responsável por movimentos minuciosos é uma das primeiras coisas que irá perder.





Imagine um exemplo: você está andando pela rua à noite  e de repente alguém lhe dá uma gravata e o puxa para trás. Com certeza você não irá pensar: Quem será? O que ele quer? Provavelmente irá reagir tentando se desvencilhar ou aplicando algum golpe, esse reflexo é possível devido ao cérebro repitiliano, o mamífero que é responsável pelas emoções vão liberar descargas adrenergéticas que vão aumentar sua força para conseguir escapar e contratacar.


Como vimos anteriormente, o tratamento do perigo que leva ao medo ocorre no cérebro de mamífero ou límbico. Então, em uma situação de medo é muito difícil controlar o medo por racionalização, já que a parte racional (o cortex) fica nublada pela parte instintiva (reptiliana) e emocional ( mamífero).

O medo é nosso aliado pois ele nos alerta sobre o perigo a nossa volta, mas ele deve ser controlado, mantido sob seu controle. Devemos tomar cuidado que esse sentimento nos domine se transformando em pânico, que faz com que você   adote um comportamento inapropriado que possa levar você ou seus familiares a quem você protegem terem graves consequências devido o travamento emocional








  O medo como arma na mão do agressor



O agressor, seja ele um buller, um estuprador, ou um briguento do dia a dia, usa o medo da vítima para alcançar seus objetivos: seja através de ameaças, uma arma, surpresa, insultos, linguagem corporal, aparência agressiva. O agressor tenta usar o sentimento de medo contra você para obter  facilmente o que ele quer, uma vez que esses diferentes comportamentos diminuem as reações na vítima. Isso é normal: vemos um indivíduo armado que nos grita, somos atraídos pelo medo intenso, somos necessariamente menos capazes de reagir.

A vítima sente sistematicamente uma sensação de medo em um ataque: o medo é um sentimento natural, normal e automático, como vimos na introdução, quando ele te domina, a sua parte instintiva (reptiliana) te avisa: "Se você se reagir, será pior, ele é mais alto, mais forte que você, se submeta e talvez o dano será menor". È justamente esse mecanismo que é ativado em vítimas de abuso, em escolar ou de violência doméstica, por exemplo. 


Você não tem escolha, você não decide sentir o medo ou não,  é um mecanismo de sobrevivência natural que desencadeia em todos os casos se você se sente em perigo, ou você acha que um soldado ou agente de segurança não tem esse sentimento quando está em um território inimigo? Porém existem formas de você reduzi-lo em uma situação de perigo, e usa-lo a seu favor, como veremos a seguir.








Domine um sistema de combate 




O domínio de um esporte de combate, técnicas específicas, pode lhe ajudar e muito no processo de autoconfiança, em particular confiança na capacidade de defender e reagir a um agressor Conhecimento de todas as opções possíveis para a vítima em caso de agressão: negociação,escape, combate, imobilização.
O cérebro retém eventos traumáticos para reagir melhor no caso de isso acontecer novamente. Toda a chave da autodefesa está lá.
Então, para aproveitar esse sistema, você tem que praticar como se fosse em situações reais. Uma coisa que eu sempre digo: todas as artes marciais são ótimas, porém uma terapêutica, outra é para combate com pontos, outra é coreográfica. Escolha uma, como eu disse acima, onde a violência brutal  e destruição física do oponente sejam o foco. O estresse físico e a situação onde haja facas, armas de fogo, sejam levados em conta, escolha um curso que taticamente, com a repetição, crie um esquema de resposta automático em seu cérebro.


 Acessórios de emergência





Outra opção muito boa que você deve levar em conta, além de treinar uma forma de combate extremamente contundente, carregue equipamentos equalizadores de força como facas, bastões retrátil, soco inglês etc, juntamente com as técnicas de combate vão te fazer sentir mais seguro caso apareça alguma situação que você precise reagir, lembre ´se seu direito constitucional proteger sua integridade física, e daqueles que ama  contra agressores, uma vez que não há como evitar.




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Respiração
 



A respiração é um grande fator no controle do estresse no momento da crise, tanto que quem já trabalhou em programas de Prevenção contra o suicídio como o CVV, sabe que uma das primeiras orientações que eles dão para as pessoas que ficarão no telefone  ouvindo as pessoas, é pergunta para a pessoa para onde ela está olhando, pois geralmente a pessoa que está deprimida está com a cabeça baixa, depois que a pessoa lhe passa essa informação, você pede para ela olhar para cima em algum ponto na parede, por que isso? Simples com a cabeça erguida respiramos melhor, nosso cérebro fica mais oxigenado e conseguimos pensar com mais clareza, diminuindo o sentimento instintivo de tirar a própria vida.


 Christophe Jacquemart, autor do livro sobre neurocombate,(NEUROCOMBAT LIVRE I - Psychologie de la violence de rue et du combat rapproché) ensina técnicas de respiração que melhoram a postura e capacidade de reação ao sentimento de medo e estresse.


Em determinada parte em sua obra ele ensina que quando inalamos normalmente, o diafragma se contrai baixando, fazendo com que as vísceras cresçam e a barriga se dobre. Assim, devemos optar para fazer essa respiração abdominal, é relativamente simples: apenas temos que imaginar que temos um nariz no lugar do umbigo e que ele se infla como um balão de balão durante a inspiração. Para se certificar de que você o faz bem, é importante sentir: você pode fazê-lo, por um lado, com os olhos fechados em modo totalmente consciente nas respirações (que também é uma forma de meditação) e, por outro lado, com suas mãos servindo de guia, com uma no tórax e outra na barriga.

A do tórax não deve se mover, está lá apenas para controlar, enquanto que na barriga deve se mover bem, você deve sentir esse momento de ida e volta. Esta técnica simples já permitirá que você se acalme rapidamente. Pesquise na internet várias outras técnicas, teste de acordo com suas habilidades e preferências  e treine regularmente para dominar caso necessite em caso de emergência.














 Faça Simulações em sua mente





Nossa capacidade de abstração é fantástica, crie em sua mente situações de confronto e perigo diversos, e imagine como você reagiria, e veja cenários em que você seja vencido, e refaça a simulação tomando novas decisões e agindo de outra forma, usando negociação, técnicas de combate, fuga. Grande agências de segurança quando tem que proteger grandes personalidades, imaginas dezenas  de situações possíveis, e treinam para ter uma resposta pronta , rápida e eficaz. Além disso enriqueça a sua mente para melhorar as simulações com conhecimento. pesquise    sobre o funcionamento do medo e técnicas para gerenciá-lo, conhecimento dos diferentes tipos de comportamento agressor,


Saber como sentir seu corpo é a chave para uma boa reação em caso de alguma situação surgir, quando você tem um agressor à sua frente. Esse exercício tem  o objetivo de prepará-lo para se proteger, lutar ou para escapar, mesmo em situações onde o medo surgirá. É bom estar ciente disso, aceitar essas reações automáticas e inatas às quais você não pode fazer nada.




Ajuda Profissional



O nosso cérebro está cheio de  experiências de medo que aconteceram no decorrer da vida, isso é o que é chamado de memória emocional. Se você foi mordido por um cachorro na sua infância, é bem possível que você desenvolva um ódio ou uma fobia de cães ao longo dos anos. Então, além dos medos inatos que todos nós temos  como medo da morte, medo do afogamento,por exemplo, há medos aprendidos como o medo do cachorro, medo de altura, medo de andar de bicicleta, etc.

Em alguns casos mais complexos pode ser  necessário a ajuda de um profissional para orientar ( psicólogo) ou medicar (psiquiatra) ou um trabalho em conjunto dos dois profissionais, pois como vimos acima o funcionamento do nosso cérebro e consequentemente  nossa capacidade cognitiva é extremamente complexa, sendo que as vezes dependendo do grau do problema realmente precisamos de uma ajuda profissional.  Em casos como  estresse pós-traumático, ou alguma uma fobia, neurose entre outros, um profissional o orientará e usará métodos para que você possa  se restabelecer.







Conclusão




Como vimos o medo não é um sentimento ruim,  é um aliado e nos ajuda a ficarmos mais atentos e termos respostas mais rápidas em situações de confronte Portanto, ao invés  de "combater"  o medo, devemos faze-lo um aliado e gerenciá-lo, superá-lo, beneficiar de seus efeitos "positivos" sem estar paralisado. Espero que tenham gostado. Dúvidas, sugestões, deixem nos comentários. Se gostou da um curtir e compartilhe. Obrigado.






                                       Marcos Antônio R. dos Santos











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