quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Combate Urbano: Se defender verbalmente diante da agressão?



Eu sempre falo da importância do conhecimento de combate para se defender da brutalidade das ruas no mesmo nível. Mas também em outro post já explanei sobre a importância do conhecimento do uso progressivo de força. Inicialmente devemos observar sempre a chance da evitação do confronto, pois uma vez iniciada as consequencias não serão nada agradáveis.
Se a violência não pode ser sempre evitada, no entanto, é possível tentar convencer o agressor da inutilidade de seu ato antes que este use a força. A negociação, ou o gerenciamento verbal de um agressor irritado  não é uma tarefa fácil, especialmente quando você não conhece os conceitos básicos de comunicação.





Em que tipo de situação usaremos o dialogo?





Se o ataque físico estiver em andamento ou já começou, obviamente faremos uso da defesa física e não verbal. Além disso, uma certa quantidade de lucidez é necessária no agressor, um indivíduo drogado ou bêbado, você deve evitar falar ou poderá irritá-lo ainda mais. Se ele não está disposto a ouvi-lo,  se recusar a falar, não insista. Já é difícil conversar com uma pessoa que não está entorpecida pois quando a raiva está no auge a capacidade cognitiva diminui signitivamente, uma vez que o córtex é o menos usado nesse momento ( para saber mais sobre o cérebro no momento do combate clique aqui).

Finalmente, lembre-se de seu objetivo aqui não é ser correto, moral, ou quebrá-lo com seus argumentos, e muito menos ter a última palavra. O objetivo da defesa verbal em caso de agressão é principalmente limitar o dano físico ou mesmo evitar contato físico, se possível.

O psicólogo americano Dr. Marshall B Rosenberg  desenvolveu na década de 70 um processo conhecido como  comunicação não violenta (CNV) é um processo de pesquisa, que apoia o estabelecimento de relações de parceria e cooperação, em que predomina comunicação eficaz e com empatia. A CNV é a maneira de resolver conflitos por meio do dialogo.


Muitas vezes, atacamos com críticas e julgamentos: "Você é isso", "Você não fez isso". A CNV permite rastrear a origem desses julgamentos usando um processo de quatro etapas: observar a situação, reconhecer seus sentimentos, identificar a necessidade, expressar sua solicitação. Em uma situação agressiva, se você deseja desarmá-la, é preciso ser empático. Observar sem absorver a situação. A capacidade de oferecer empatia aos outros em momentos de grande tensão pode desarmar o risco de violência.

O poder da empatia, especialmente neste tipo de situação, não deve ser subestimado. É certo que a última coisa que você quer oferecer a um agressor é a empatia. Porém nós combatentes sabemos os estrago que podemos fazer ao iniciar um confronto, e que pouco temos a ganhar já que não estamos em um campeonato. 


Aplicado a uma situação de assalto,  imagine um exemplo: o criminoso manda que você entregue o celular,  e a vítima tenta negociar dizendo que só tem aquele e precisa dele para o serviço, ou que ainda nem pagou as prestações". O agressor com certeza iria ficar nervoso e mandaria a vítima passar o objeto logo, imagine a vítima continuando a recusa. Irá frustrar mais e mais o agressor que realmente acabará atacando, para poder tomar o objeto ou simplesmente por raiva. Em todos os casos, de acordo com o agressor, tente usar empatia para identificar necessidades e sentimentos. Se ele se sentir compreendido, e conseguir o seu objetivo, ele vai querer sair do local o mais rápido possível sem chamar a atenção.

Adapte-se à situação e especialmente ao agressor para falar do mesmo modo que ele e tentar mostrar-lhe que você entende. Trabalhe sua comunicação e sua empatia diariamente. Lembre-se que a primeira linha de defesa no uso progressivo de força. A seguir vamos ver como usar as dicas da empatia e tentativa de comunicação com o agressor na pratica.








Como se expressar para evitar a violência?




Usando a idéia da comunicação não violenta, como usaremos na prática. Como foi mencionado acima a questão da empatia é vital para um comunicador então aqui vai alguns pontos importantes:


Não querer se mostrar superior:  Este não é o momento de mostrar sua cultura e usar termos técnicos que seu agressor não entenderá, pois ele pensará que está tentando depreciá-lo ou destacar sua inferioridade intelectual. Mesmo que o último seja comprovado (os agressores raramente são pessoas educadas, seguidores de raciocínio lógico e debate de idéias), pressionar este ponto é um erro crucial. Além disso, não tente se "identificar" com seu agressor, especialmente se a diferença de estilo ou ambiente social for evidente. Imagine que seu agressor tenha uma linguagem bem local, ligada a sua cultura do seu meio, você querer usar termos como se falasse como ele você vai cortar qualquer linha de diálogo, podendo realmente iniciar a agressão. Use o português comum com palavras e expressões simples, evitando gírias ou as figuras de estilo.

Calma:você deve demonstrar sua calma e serenidade ao seu atacante. Fale lentamente, sem hesitação e tente ocultar os sinais de ansiedade, como tremores na voz ou no nó na garganta. Articule cada palavra corretamente para reduzir a pressão e a gravidade da situação um pouco.

Educação: evite qualquer insulto ou  desprezo, como o mal humor ou a condescendência.  Mesmo se você considerar que seu agressor não merece seu respeito, ao mostrar-lhe que você é capaz de respeitar certos limites, mesmo sob ameaça,  você terá a chance de fazê-lo refletir sobre a legitimidade de seu ato.



Comunicação verbal como elemento defensivo



Em um assalto , sua capacidade de comunicação permite recuperar o controle da situação. Isso acalma a atmosfera e reduz o efeito da surpresa e seu posicionamento como dominado. No entanto, as palavras que você usa devem ser bem escolhidas.

Evite a todo custo aqueles que são abusivos ou vexatórios, de modo a não estimular o apetite do agressor pela violência. Não jogue com duplo significado ou insinuação. Seja direto, confiante e mostre que você não tem medo do que pode acontecer.

Para que a sua comunicação sirva eficazmente como um escudo contra o potencial agressivo do seu atacante, você deve adotar uma linguagem corporal adequada. Assim, você terá que ficar de pé, com a cabeça erguida e olhar seu parceiro nos olhos (sem desprezo ou medo). Seu diálogo não será agressivo ou hesitante. De fato, o lado emocional da discussão deve ser evitado.

A comunicação verbal é uma dissuasão, mas também e, acima de tudo, uma ótima maneira de contrariar as expectativas de seu agressor e ganhar controle. Isso permitirá que você mitigue os efeitos do ataque, ou mesmo tome a iniciativa de escapar ou atingir o primeiro sem que seu agressor espere.

Neste caso, a melhor técnica será agir no meio de uma frase, o que, obviamente, seu agressor não pode prever. Aguarde o momento certo, tentando preencher os espaços em branco com suas palavras, e quando surgir a oportunidade (um pequeno sinal de falta de atenção por parte do agressor), aproveite-se para acerta-lo violentamente ou fugindo, lembrando de deixa-lo incapacitado  antes de fugir.

A comunicação é o primeiro baluarte contra a agressão. Pode até permitir que você evite o uso da violência. Mas se prepare para a necessidade do combate.  Alguns assaltantes são mais determinados do que outros, e a violência é o único meio de expressão adotado. Além disso, certos perfis são incompatíveis com o diálogo, drogados ou pessoas bebadas. De qualquer forma, trein  na frente do seu espelho para apagar o medo do seu rosto e fale calmamente em qualquer situação.


Conclusão 





Como vimos, a comunicação é um dos primeiros passos na autodefesa, é técnica que nos ajuda a tentar evitar o confronto físico, a ganhar tempo, e ainda como uma tática suja, já que você pode usar como distração, furando o olho do seu agressor, ou acertando seu testículo por exemplo. Dúvidas, sugestões, deixe nos comentários. Se gostou da um curtir compartilhe. Obrigado.

                                         


                         Marcos Antônio R. Santos
    

 

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