terça-feira, 19 de setembro de 2017

Tanatologia Forense: Quando a morte conversa com você






Dizem que morto não fala, porém esse ditado não podia estar mais errado. A tanatologia forense é o ramo dentro da Medicina Legal que estuda a morte e seus efeitos sobre o corpo, através dela é possível dizer o momento aproximado da morte se o corpo foi mexido, ou seja se o local do crime foi montado, ou se os ferimentos foram feitos antes ou depois da morte. Todos esses dados podem nos dizer muito na hora de montar o perfil do criminoso. 

No FBI no setor de investigação de homicídios, são lançados dados matemáticos  em um computador, o local da morte e o estado que o corpo foi deixado, se foi levado algum tipo de troféu ou não e por meio disso é possível montar um perfil muito próximo do assassino, seus hábitos, sua escolha para vitimas e uso de armas se gostam de tortura ou não. Hoje vamos estudar as alterações sobre o corpo de acordo com a passagem do tempo, e veremos como é feito a análise para saber o tempo que o crime foi cometido.








Morte em Andamento




A morte, na sua acepção mais simples, consiste na cessação total e irreversível das funções vitais. A morte não é um instante, um momento, mas um verdadeiro processo em que há um progressivo desmantelamento que vai do organismo como um todo passando por sistemas, órgãos, tecidos até chegar ao nível celular. Por isso que geralmente a necrópsia só é feita seis horas após o óbito, pois passado esse tempo será possível observar vários sinais de morte real como veremos a seguir.

Perda da consciência.
Perda da sensibilidade;

Perda da motilidade e do tono muscular;
Cessação da respiração;
Cessação da circulação;
Cessação de atividade cerebral.

Desidratação cadavérica.
Pergaminhamento da pele;
Dessecamento das mucosas dos lábios;
Fenômenos oculares (perda da tensão do globo ocular, opacificação da córnea,mancha esclerótica);
A perda de água pelo cadáver (evaporação) faz com que ele diminua de peso.

                                          córnea opaco, mancha esclerótica


A desidratação é melhor observada nos chamados “fenômenos oculares” em que se observam as transformações ocorridas nos olhos tais como a opacidade da córnea e o aparecimento da malha vascular que fica sob a esclera devido à desidratação.






Manchas de Hipóstases ou Livores Cadavéricos



A importância dos livores
É grande a importância dos livor mortis ou manchas de hipóstase ou livor cadavérico. Quando o indivíduo morre o sangue para de circular consequentemente ele desce e se fixa nas partes mais baixas do corpo. Se o indivíduo foi enforcado o sangue desce para as pernas. Se  caiu de bruços, com o peito e o rosto para baixo,  o sangue ficará na parte da frente do corpo. 

Então por exemplo se o individuo baleado caiu de costa e o criminoso mexer no corpo para mudar a cena do crime. mesmo ele virando a vitima para baixo as manches avermelhadas continuaram em suas costas, assim o perito saberá que a cena do crime foi alterada. No estabelecimento do tempo de morte, se fixam em torno de 12 horas. 

Outro fenômeno é o Algor mortis ou esfriamento cadavérico, o corpo perde os 36 graus centigrados que o corpo humano tem, e ele fica com a temperatura ambiente.




Rigor mortis ou rigidez cadavérica depois de cinco horas começa o corpo começa a apresentar a rigidez muscular como podemos ver na foto acima.


Fenômenos Cadavéricos Transformativos



Indicam as transformações que passam um corpo sem vida, do momento em que se extinguem os processos químicos vitais, sofrendo passivamente a ação das influências ambientais.
São tardios e podem ser divididos em dois grupos: 
              a)     Destruidores
              b)     Conservadores
Fenômenos cadavéricos Transformativos:

1- DESTRUIDORES

 Destroem o corpo conforme o tempo passa:
1.1 - AUTÓLISE
1.2- PUTREFAÇÃO
1.3 - MACERAÇÃO

2- CONSERVADORES

 São fenômenos que preservam o corpo:
2.1 - SAPONIFICAÇÃO
2.2 – MUMIFICAÇÃO

Hoje vamos verificar o procedimento de autólise e putrefação junto com seu desenvolvimento cronológico.

Autólise
Chama-se autólise uma série de fenômenos fermentativos anaeróbicos que se verifica nas células. Sem a circulação do sangue, as células perdem a capacidade de trocas nutritivas e sofrem, pela ação de fermentos, a acidificação. É o início da decomposição.O meio vivo é neutro (pH entre 7,0 e 7,8). À medida em que o meio vai sofrendo a acidificação, a vida vai se tornando cada vez mais improvável.

Por isso que a má alimentação pode causar doenças degenerativas como o câncer, uma vez que a acidez do seu corpo vai aumentando, o sintomas do desequilíbrio do seu metabolismo aparecem através de nódulos cancerígenos, por isso que que é recomendável uma dieta saudável que diminua a acidez do corpo e aumente a alcalinidade do corpo.



A putrefação cadavérica




A putrefação cadavérica consiste na decomposição fermentativa  da matéria orgânica por ação de diversos germes e alguns fenômenos daí decorrentes.A causa da morte  tem  influência na marcha deste processo. Poe exemplo as vítimas de graves infecções e grandes mutilações putrefam-se mais rapidamente. O arsênico, os antibióticos e certos medicamentos podem retardar a putrefação.

 A temperatura muito alta ou muito baixa retarda ou para a marcha da putrefação. Em certas regiões, como na Sibéria, os cadáveres se conservam naturalmente. Tanto que já foi encontrado corpos de mamutes e homens da caverna em um estado quase perfeito com todos os órgãos conservados.

Fenômenos abióticos transformativos destruidores:
 Embora não haja uma rigorosa precisão, a putrefação segue uma determinada evolução, passando por quatro períodos:
1.Fase Cromática;
2.Fase Gasosa;
3.Fase Coliquativa;
4.Fase Esquelética.



A foto acima é o local do crime onde foi encontrado uma das vítimas de Francisco de Assis Pereira, o Maníaco do Parque.



Fase Cromática

 

É a primeira fase da putrefação, inicia-se, em geral, pela mancha verde abdominal, localizada, preferencialmente, na fossa ilíaca direita; daí difunde por todo o abdome, pelo tórax, cabeça e pelos membros.  A tonalidade esverdeada vai escurecendo até chegar ao verde-enegrecido, dando ao cadáver um tom bastante escuro. Esta tonalidade se dá pela formação de sulfometahemoglobina. 
É a fase em que  cadáver muda de cor, assume a cor verde enegrecida.

Cronologia do aparecimento:
Verão - 18 a 24hs;
Inverno -ás 36 a 48;

Observa-se bactérias nas vias aéreas, moscas que compõem a fauna cadavérica, atraídas por mais de 3 km de distancia.

                                      Cadáver com cerca de 72 h do óbito.



Período Gasoso



Do interior do corpo vão surgindo os gases de putrefação, enfisema putrefativo, com bolhas na epiderme, de conteúdo líquido hemoglobínico. O cadáver toma um aspecto gigantesco, principalmente na face, abdome e órgãos genitais masculinos.
Os gases fazem pressão sobre o sangue, que foge para a periferia e, pelo destacamento da epiderme, esboça na derme um desenho vascular circulação póstuma de Brouardel. Sais de chumbo neutros evidenciam a presença desses gases.
Do interior do corpo vão surgindo os gases de putrefação (enfisema putrefativo), com bolhas na epiderme, de conteúdo líquido hemoglobínico. 
Mecanismo:
Ação de bactérias saprófitas
Formação de gases da putrefação - inflamáveis
decomposição proteica
liberação de compostos nitrogenados - ptomaínas (odor desagradabilíssimo)
Características do Cadáver
Olhos exofágicos
Língua Protusa
Corpo Aumenta de volume
Odor Fétido devido a formação dos gases.
Aumento da pressão abdominal
prolapso do útero - eventual parto post-mortem
prolapso do reto , elevação do diafragma
compressão pulmonar - saída de líquido avermelhado pela boca e narinas
sangue proveniente do rompimento alveolar 
Atividade bacteriana - Clostródium welchii.
Com a putrefação, surgem os desenhos vasculares em forma arborescente, conhecidos como “circulação póstuma de Brouardel”.
Destacamento da epiderme
perda de fâneros cutâneos
pressão sobre grandes vasos
escoamento passivo do sangue da periferia
destacamento da epiderme
coloração escura do sangue

Cronologia:
Grau maximo 5 ao 7 dias
1 Dia – Gases não inflamáveis CO2
2 ao 4 Dia – Gases Inflamáveis HC e H
5 Dia - Gases não inflamáveis N e NH4

Temos a formação de metano, gás carbônico, amônia e mercaptanos, gás sulfídrico
gás sulfídrico + hemoglobina = sulfohemoglobina ou sulfometahemoglobina = verde


Período Coliquativo



Período Coliquativo: Esta fase se manifesta pela dissolução pútrida do cadáver, cujas partes moles vão pouco a pouco reduzindo-se de volume pela desintegração progressiva dos tecidos. O corpo perde sua forma, a epiderme se desprega da derme, o esqueleto fica coberto por uma massa de putrilagem, os gases se evolam e surge um grande número de larvas e insetos.

Mecanismo:
 
Dissolução pútrida do cadáver - deliqüescência cadavérica
Começa cerca de 3 semanas após a morte
Desintegração de partes moles
redução do volume - deformação
liberação dos gases - Inúmeras larvas

Cronologia:
Extremamente variável:
início - 3 semanas após o óbito
término - vários meses
O corpo perde sua forma, a epiderme se desprega da derme, o esqueleto fica coberto por uma massa de putrilagem, os gases se evolam e surge um grande número de larvas e insetos.
Larvas - Boca de um cadáver em adiantado estado de putrefação, contendo numerosas larvas de moscas, denotando um tempo de óbito estimado em 5 dias.

Obs: as larvas de moscas pertencem à família Stratiomyidae 








 Fase Esquelética



Nesta fase, os ossos apresentam-se quase livres, presos apenas pelos ligamentos articulares.
Os ossos resistem por muito tempo, porém, vão perdendo pouco a pouco sua estrutura habitual, tornando-se cada vez mais frágeis e leves.

Processo: 
Fase que se mescla a coliquativa
Final do processo destrutivo cadavérico
Resultado final é o esqueleto livre de partes moles, presa pelas cartilagens.
Cronologia muito variável:
início - terceira a quarta semana
término – quatro a seis meses, em média

Porém os fatores variáveis são:

clima
ambiente (+ fauna cadavérica): bactérias, ratos, cães etc...
ar livre
inumação
submersão





Na foto acima o corpo é de um menino, vítima de Serial killer encontrado no Pará, o processo de esqueletização começou pela cabeça, provavelmente devido a fauna local.




Entomologia forense

 

Só lembrando que é de grande importância aqui o estudo conjunto de outra área cientifica, a Entomologia forense, esse ramo de estudo analisa os insetos e outros artrópodes encontrados em locais de crimes, em cada uma das fases da morte é possível encontrar um grupo de animais diferentes, então uma vez identificado o determinado inseto pode se saber o tempo em que o corpo está lá e até o local onde estava, uma vez que certo tipo de animais existem apenas em determinadas regiões.

  A morte de Isabela Tainara de 14 anos, por exemplo,  foi solucionado graças ao estudo entomológico com a  analise das moscas e besouros decompositores.










Conclusão




Como vimos acima a Tanatologia forense nos fornece em seu estudo dados que ajudaram a investigar, montar um possível histórico do ocorrido, montar perfis de criminosos e até solucionar crimes. Esse ramo da Medicina Legal trabalha com outros ramos forenses, como por exemplo a entomologia forense que estuda insetos (larvas, moscas, besouros etc...) e outros artrópodes ( caranguejos, camarões...).
  
Espero que tenham gostado. Dúvidas, sugestões, deixem nos comentários. Se gostaram da um curtir e não esqueçam de compartilhar. Muito obrigado.





                                   Prof. Marcos Antônio R. dos Santos








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