sábado, 21 de abril de 2018

Criminalística: Entendendo o mecanismo da Morte


Para nós preparadores, sobreviventes e combatentes urbanos, a vida e a morte são fatores de estrema relevância para nossas preparações. Hoje vamos entender mais como funciona o processo da morte, como o corpo humano reage a determinadas tragédias. Para que possamos entender ainda mais a fragilidade da vida e entender que preparação é coisa séria, e ainda podermos conhecer os limites do corpo humano em sua biologia, pois conhecimento anatomofisiológico também é importante para a preparação do combatente urbano.





Entendendo o mecanismo da Morte 

 
Nessa postagem vamos entender a morte real biologicamente como ocorre. Em 1846, a Academia de Ciências de Paris aceitou que a morte significa a ausência de respiração, de circulação e de batimentos cardíacos. Mas mais de um século depois, outro francês, Paul Brouardel, concluiu que o coração não sustenta a vida sozinho. Uma pessoa decapitada pode ter batimentos cardíacos por uma hora, o que não quer dizer que ela esteja viva.

Quando surgiram os respiradores artificiais nos anos 1950, os critérios para definir o fim da vida ficaram ainda mais confusos. Ficou decidido que ele acontece quando as células do cérebro param totalmente de funcionar e desligam o encéfalo, a parte do sistema nervoso central que controla funções automáticas, como a respiração e a circulação. Geralmente, isso acontece depois de acidentes ou AVCs. A morte cerebral permite a doação de órgãos – já que o resto do corpo continua intacto e imune à dor (embora existam relatos de reações parecidas com às da dor na hora da retirada dos órgãos, como batimentos cardíacos acelerados e pressão alta.) Na teoria, o cérebro é a placa mãe de um computador. Quando ela queima, a máquina não funciona mais, mesmo que todas as outras peças ainda estejam em bom estado.


Na prática, 99% das mortes são atribuídas a parada de atividade cardiorepiratória, e só 1% dos casos tem origem na morte cerebral. Agora vamos imaginar o corpo humano como um computador. O sistema coração-pulmão é a bateria da máquina, que garante o funcionamento das outras peças. Quando essa bateria descarrega, você pode continuar usando o computador ligado à tomada. É o que acontece com grávidas que não têm mais sinais cerebrais, mas que são mantidas “vivas” por aparelhos até dar à luz. De acordo com o americano Dick Teresi, autor do livro The Undeath (Os Não-Vivos), desde 1981, 22 mulheres tiveram bebês estando clinicamente mortas. Seus corpos estavam vivos – mas o cérebro já não os controlava mais.

 Desde 1981, 22 mulheres tiveram bebês mesmo estando clinicamente mortas.

Por isso, para compreender a morte, é preciso entender como trabalha a nossa “bateria”. O coração funciona com estímulos elétricos que provocam a contração (que joga o sangue para frente) e o relaxamento (que o enche novamente). É muito importante que esses movimentos sejam sincronizados. Se o coração bater rápido demais, não dá tempo de enchê-lo totalmente e a quantidade de sangue bombeada para o corpo diminui. Bater devagar demais também não é bom sinal, pelo mesmo motivo: vai faltar sangue para manter as condições vitais. Isso é especialmente perigoso para os pulmões. Sem sangue por lá, eles não levam mais oxigênio para as células. 

Sem oxigênio não há metabolismo e, bem, sem metabolismo as células morrem. Para um médico, a ausência de batimentos cardíacos é uma corrida contra o tempo. “Depois de 8 minutos, a chance é extremamente pequena”, diz o cardiologista Diego Chemello, do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Mas a prática é continuar tentando. Em 2012, o jogador de futebol congolês Fabrice Muamba ficou 78 minutos com o coração parado, e até hoje ninguém sabe direito como. O mais provável é que a atividade elétrica do coração dele nunca tenha zerado totalmente e o oxigênio que ele recebeu por aparelhos tenha garantido sua sobrevivência.

Além das batidas irregulares, a parada cardíaca pode ser causada por um infarto, responsável por 70% das mortes súbitas no Brasil. O sangue que chega ao coração pela artéria coronariana vem cheio de glicose, ácidos graxos e sais minerais que controlam a atividade elétrica do músculo. Se essa artéria é obstruída por gordura (o famigerado colesterol), o suprimento de nutrientes é interrompido e acontece uma pane elétrica. De fato, o infarto é um problema elétrico. Por isso que o aparelho preferido dos paramédicos de séries de TV se chama desfibrilador. O impacto do choque é de 200 joules, o suficiente para acender uma lâmpada de 100 watts por dois segundos – e para botar nosso coração no ritmo.

Se o coração parar de bater, a circulação é interrompida na mesma hora. Nos 3 primeiros minutos, a recuperação é quase certa porque o organismo tem reserva de oxigênio e nutrientes (sim, toda a nossa vida só deixa 3 minutos de economias). Mas isso logo acaba e as células param de funcionar. As do cérebro puxam a fila. É nos neurônios que são feitas as reações químicas e elétricas mais complexas do corpo, que mais precisam de oxigênio. Para se ter uma ideia, o tecido cerebral recebe 10 vezes mais sangue que o muscular, que realiza uma função mecânica e bem menos complicada – o movimento. “Depois de 5 minutos, pode haver danos permanentes”, diz o cardiologista Guilherme Fenelon. A consequência pode ser perda da fala ou dos movimentos, por exemplo.

No fim das contas, seu corpo não foi feito para viver para sempre. No fim, o coração vai parar de bater, a respiração vai cessar e, como uma lâmpada, o cérebro vai se apagar. A vida acaba aí. Mas a morte, não. Ela está apenas começando.

Muitas pessoas que tiveram experiências de quase morte relatam ter tido uma experiência fora do corpo.  Mas, como se vê, é apenas o cérebro enganando você em seus momentos finais. Seu cérebro não se fecha tão rapidamente quanto o resto de seu corpo quando você morre;  ainda está funcionando.  Novos estudos descobriram que seu cérebro pode entrar em um "estado hiper de atividade neural perceptual" no momento da morte.  Essencialmente, seu cérebro ainda está projetando imagens.

 A neurologista australiana Cameron Shaw dissecou o cérebro de uma mulher para tentar entender seus últimos momentos.  Ele explicou que os últimos 30 segundos da vida de uma pessoa podem ser divididos em intervalos de 10 segundos.  Em primeiro lugar, o cérebro morre de cima, reivindicando todas as nossas características humanas:

 “Nosso senso de identidade, nosso senso de humor, nossa capacidade de pensar no futuro - tudo isso acontece nos primeiros 10 a 20 segundos.  Então, à medida que a onda de células cerebrais famintas pelo sangue se espalha, nossas memórias e centros de linguagem se encurtam, até que ficamos com apenas um núcleo ”, diz Shaw. 

 De acordo com Shaw, a experiência fora do corpo que algumas pessoas relatam depois de ter uma experiência de quase morte não é real.

 “Eu tinha um instrutor de neurociência que tinha uma experiência fora da linha de quase-morte que eles estavam tentando revivê-lo e ele testemunhou isso como uma pessoa desconectada.  Ele foi trazido de volta e descreveu essa circunstância para os outros, isso é o que eu vi, mas basicamente tudo o que ele disse, nada disso realmente aconteceu.  O cérebro pode criar um mundo visual ao seu redor que se parece com algo próximo da realidade que não é a realidade porque você é realmente cego ”.  

Mas há uma luz no fim do túnel. Você experimenta visão de túnel quando perde sangue para o cérebro, seguido de escuridão imediata.  Quase como um flash de luz branca no final de um túnel.  


Agora vamos ver abaixo alguns cenários com final morte, para saber como o corpo reage a cada uma delas:



a) ESTRANGULAMENTO


No enforcamento, a carótida e a jugular são esmagadas, o que faz com que o fluxo de sangue no cérebro pare. Ao mesmo tempo, a pressão na região pode também afetar o ritmo dos batimentos cardíacos. Ou seja, o estrangulamento para o funcionamento dos dois órgãos mais importantes para a vida: cérebro e coração.


b) FALÊNCIA MÚLTIPLA DE ÓRGÃOS

Uma das principais causas da falência múltipla de órgãos é o choque séptico. Acontece assim: uma infecção que o sistema imunológico não consegue deter causa a dilatação dos vasos sanguíneos. Com os vasos largos, a pressão cai, o coração não se enche mais adequadamente, bate fora do ritmo e os órgãos vitais ficam sem sangue. E adeus mundo cruel.


c) CÂNCER

 
Os tipos mais comuns de câncer (pulmão, mama, colo-retal e estômago, segundo a OMS) matam do mesmo jeito: pela metástase. As células doentes se multiplicam descontroladamente e podem pegar carona no sangue ou no sistema linfático até chegar a outras áreas do corpo, como pulmões, ossos e cérebro. Sufocadas pelas doentes, as células saudáveis deixam de funcionar.


d) AFOGAMENTO


Uma pessoa não consegue ficar com o pulmão vazio por muito tempo, porque ele tenta se encher involuntariamente. Aí a água inalada obstrui a faringe, chega aos alvéolos pulmonares – e falta oxigênio.




e) CARBONIZAÇÃO


É a falta de oxigênio que faz com que uma pessoa morra em um incêndio. Apesar de o fogo queimar os tecidos do corpo – o que também acabaria levando à morte -, a asfixia mata antes.





f) ENVENENAMENTO



Cada veneno age de uma maneira. A morte por cianeto, preferido dos autores de romances policiais, acontece por causa de ligações químicas do veneno com o ferro do sangue, que é essencial para a respiração celular. É o ferro, afinal, que carrega o oxigênio. Sem ele, as células morrem.




g) ACIDENTE


Os acidentes matam pela perda de sangue. Se as feridas forem graves, vai faltar irrigação nos órgãos principais. O coração pode parar de bater porque não consegue se encher mais. “Se a situação não for contornada, a pessoa perderá a consciência por falta de oxigenação no cérebro”, diz o cardiologista Diego Chemello.





Logo o corpo passa por várias transformações após a parada das funções vitais: 


 O começo do fim:




Antes de virar pó, nosso corpo vira um monte de outra coisa

0 minuto


Ao contrário do que diz o clichê, ninguém “cai duro no chão” ao morrer. Como o sistema nervoso não libera mais os neurotransmissores que contraem os músculos, o cadáver fica totalmente flácido.

5 minutos



O corpo deixa de responder a estímulos externos. Não há mais respiração nem batimentos cardíacos.




1 hora

É hora do sangue parar. Primeiro, coagula o conteúdo das veias, por onde o sangue corria mais lentamente. O líquido das artérias segue a gravidade e fica perto do chão, onde a pele fica azulada.

2 horas  (Algor Mortis) Resfriamento


Sem circulação não há metabolismo. Sem metabolismo, não há calor. O corpo, que estava a 36,5°C, começa a se resfriar, 1°C por hora até entrar em equilíbrio com o ambiente.



3 horas - Rigor Mortis



O corpo fica rígido quando as reservas de ATP dos músculos acabam. Quanto mais musculosa for a pessoa, mais reservas de energia ela terá, e mais vai demorar para endurecer.
A primeira parte do corpo que enrijece é o rosto, que tem músculos menores. Depois, endurecem os ombros, braços e tórax.


De 5 a 8 horas - Livor Mortis




Sem oxigênio, as células das paredes dos vasos necrosam e ficam frágeis, principalmente nos capilares dos dedos, que são mais finos. Acontece a hipótese: o sangue sai dos vasos e impregna os tecidos vizinhos.


8 horas



O corpo continua a enrijecer. Os músculos das pernas finalmente se contraem. Por causa disso, os dedos do cadáver podem estar levemente fechados e os joelhos, um pouco dobrados.



12 horas


O corpo é como uma toalha molhada no varal. Depois de um tempo, a água evapora e os tecidos se retraem. Os olhos ficam fundos, os lábios escuros, e pelos e unhas parecem crescer – mas é a pele que se retraiu.

24 horas



Um adulto de 75 quilos pode perder até 1,3 quilo de sua massa nas primeiras 24 horas, graças à evaporação de água (nada dos famosos 23 g que a ficção diz ser o peso da alma). Se o cadáver estiver no calor, ao ar livre, pode ficar seco, como carcaças de animais no deserto.

2 dias



As bactérias continuam a liberar gases, o que faz com que o corpo inche. O cheiro piora por causa da decomposição das proteínas do corpo, e um líquido avermelhado, resultado do rompimento dos alvéolos pulmonares, pode sair pela boca e narinas.



3 dias


O corpo, que até então estava rígido, volta à flacidez. Isso porque os tecidos musculares já estão se decompondo. A ordem é a mesma do endurecimento: primeiro a cabeça, depois braços e tronco e, por fim, as pernas.



Mais de 7 dias



Se o corpo estiver em um ambiente com muita umidade e temperatura alta, a gordura do corpo em decomposição reage com sais do solo (como o potássio) e o cadáver fica macio e escorregadio, como um sabão. 



Fase Coliquativa

 
 

Desintegração de partes moles, redução do volume - deformação liberação dos gases -e Inúmeras larvas




Terceira a quarta semana - Fase Esqueletização



Início terceira a quarta semana término – quatro a seis meses, em média. Em seguida, o corpo começa a desaparecer até sobrarem só os ossos.




5. Calcule quanto tempo de vida você ainda tem



Para muitas pessoas, o número de anos que podemos viver não é determinado somente por nossas ações, mas por uma confluência de fatores que não podemos controlar, em especial a genética. Mas o modo de vida e o ambiente onde se vive podem influenciar – e muito. Clique na figura da morte em baixo, e faça o teste, elaborado com base em dados de um estudo dos cientistas Shino Nemoto e Toren Finkel, publicado na revista americana Nature, e descubra quanto você ainda pode ter de vida:
 



 http://www.mortesubitainc.org/entretenimento/relogio-da-morte






6. Obras indicadas:




Livros:







 




Conclusão




E importantes conhecermos as fragilidades da vida, e que não entendermos que não somos indestrutíveis, e que  somos apenas um sistema metabólico complexo de proteína em processo entrópico, ou seja  com tempo de validade, isso com certeza nos dará uma perceptiva real em nossas preparações, e os perigos de nos prepararmos com maus profissionais, já que não teremos segunda chance. 

Além disso, o conhecimento de como o corpo reage a traumas é de grande importância para nós sobrevivencialista, combatentes e preparadores urbanos. Já que o conhecimento do estudo tanatológico e anatomofisiológico nos trás ainda mais informações útlteis para implementarmos em nosso treinamento conhecendo ainda mais sobre as fraquezas e pontos vulneráveis do corpo humano.




Dúvidas? sugestões? Deixem nos comentários. Se gostaram deem um curtir e compartilhem. E não esqueçam de clicar em um dos anúncios para nos ajudar a continuarmos com nosso trabalho. Muito obrigado.

  

E não esqueça de  visitar nossa biblioteca sobrevivencialista virtual, clicando na imagem abaixo: 


http://centrodeestudomars.blogspot.com.br/p/biblioteca.html


Prof. Marcos Antônio Ribeiro dos Santos

  

Colaboração:

Dr. David S.

 

 

 

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