terça-feira, 6 de novembro de 2018

Killologia aplicada: Você tem certeza que é capaz de matar?


A pergunta pode chocar, mas é importante esse auto exame, pois muitas pessoas tem dificuldade até de lutar de maneira mais forte dentro da academia. Sentem medo, ou receio de se machucar ou machucar o colega, o que dirá tirar uma vida. Muitas pessoas respondem de pronto que sim, pata tentar validar a sua coragem, mas na prática o ato de matar vai contra a doutrinação social, e a nossa própria natureza quanto espécie, já que a maioria de nós não são psicopatas. Contudo, o domínio da agressão humana, é vital para o desenvolvimento futuro e, talvez, para a própria existência de nossa civilização. Porém para algumas mais do que outras o assunto ainda é um tabu, frente o politicamente correto. E com as mudanças políticas em nosso país que vislumbram o porte de arma para o cidadão, e leis com o cunho mais efetivas contra o crime organizado como o  projeto de lei PLS 352/2017, que prevê a neutralização de indivíduos portando armas de guerra em área urbana, que a imprensa gosta de ressaltar incansavelmente como "a lei do abate".

O ato de matar na sociedade moderna, não é visto como uma necessidade, mas sim como um ato que vai contra doutrinas religiosas, e conceitos morais. Mesmo em um cenário como o nosso que só em 2017 teve 60.0018 estupros e 63.880 homicídios e latrocínios (morte em assaltos), um agente de segurança pública quando mata para salvar um cidadão passa por todo tipo de reprovação, desde a mídia e movimentos sociais, até da própria sociedade. Tirar uma vida, ferir uma pessoa mortalmente vai contra o nosso condicionamento social. Então é de suma importância um auto exame para saber até onde o condicionamento moral, religioso,  e social possam ter prejudicado a sua reação letal em um cenário extremo. 




Observação importante: As informações presentes nesta matéria são para o público maior de 18 anos, para fins de conhecimento didático, e treinamento combativo baseado na legítima defesa e estrito comprimento legal que estão em nossa constituição e Código Penal. O uso indevido dessas informações, bem como suas consequências é de responsabilidade única e exclusivamente de quem praticar e desobedecer a lei. Então use o cérebro.



Depois de ler a mensagem acima podem iniciar a leitura do artigo abaixo:




A fisiologia e a resistência do combate próximo


Além do condicionamento social da não reação violenta, ainda encontramos em nossa própria natureza alguns obstáculos. Pois uma vez que não somos portadores de psicopatia, a empatia pode dificultar a violência extrema para a maioria das pessoas em um combate direto, tendo  resistência de  matar indivíduos da própria espécie. Durante as batalhas territoriais e de acasalamento, os animais com chifres se chocam de maneira relativamente inofensiva, as cascavéis lutam umas contra as outras, e as piranhas lutam contra a própria espécie com golpes de rabo, mas contra qualquer outra espécie essas criaturas liberam seus chifres, presas e dentes sem restrição. 

 
Este é um mecanismo de sobrevivência essencial que impede que uma espécie se destrua durante os rituais territoriais, e de acasalamento. Uma compreensão do estresse do combate próximo começa com uma compreensão da resposta fisiológica à agressividade interpessoal de curto alcance. A visão tradicional do estresse de combate é mais frequentemente associada à fadiga de combate e ao Transtorno de Estresse Pós-Traumático, que na verdade são manifestações que ocorrem depois e como resultado do estresse. O pesquisador Bruce Siddle definiu o estresse de combate como a percepção de uma ameaça iminente de ferimentos graves ou morte, ou quando se tem a responsabilidade de proteger outra pessoa de ferimentos graves ou morte iminente, sob condições onde o tempo de resposta é mínimo.


Os efeitos debilitantes do estresse de combate são reconhecidos há séculos. Fenômenos como visão de túnel, exclusão auditiva, perda de controle motor fino e complexo, comportamento irracional e a incapacidade de pensar claramente foram todos observados como subprodutos do estresse de combate. Embora esses fenômenos tenham sido observados e documentados por centenas de anos, muito pouca pesquisa foi realizada para entender por que o estresse no combate deteriora o desempenho. 


Uma importante revelação moderna no campo da psicologia militar é a observação de que essa resistência a matar a própria espécie é também um fator-chave no combate humano. O Brigadeiro General SLA Marshall observou isso durante seu trabalho como historiador oficial do Teatro Europeu de Operações na Segunda Guerra Mundial. Baseado em suas entrevistas pós-combate, Marshall concluiu em seu livro de referência, Men Against Fire, que apenas 15 a 20% dos fuzileiros individuais na Segunda Guerra Mundial dispararam suas armas contra um soldado inimigo exposto. Armas especializadas, como um lança-chamas, geralmente eram disparadas. As armas servidas por tripulação, como uma metralhadora, quase sempre eram disparadas. E o disparo aumentaria muito se um líder próximo exigisse que o soldado atirasse. Mas, quando deixados à própria sorte, a grande maioria dos combatentes individuais ao longo da história parece ter sido incapaz ou não ter vontade de matar.

No entanto, os seres humanos são muito hábeis em encontrar meios mecânicos para superar as limitações naturais. Os humanos nasceram sem a capacidade física de voar, então encontramos mecanismos que superaram essa limitação e permitiram o voo. Os humanos também nasceram sem a capacidade psicológica de matar nossos semelhantes. Assim, ao longo da história, dedicamos grande esforço para encontrar uma maneira de superar essa resistência. Do ponto de vista psicológico, a história da guerra pode ser vista como uma série de mecanismos táticos e mecânicos sucessivamente mais eficazes para permitir ou forçar os combatentes a superar sua resistência à matança.

Em 1946, o Exército dos EUA aceitara as conclusões de Marshall, e o Escritório de Pesquisa de Recursos Humanos do Exército dos Estados Unidos foi pioneiro em uma formação de combate que acabou substituindo os disparos contra alvos intensos por “condicionamento” profundamente enraizado, usando alvos realistas e  forma de homem, alvos que caem quando atingidos. Os psicólogos sabem que esse tipo de poderoso “condicionamento operante” é a única técnica que influenciará de forma confiável o processamento primitivo do cérebro de um ser humano assustado, assim como exercícios de incêndio condicionam crianças em idade escolar a reagir adequadamente durante um incêndio e estímulos repetitivos. ”O condicionamento em simuladores de voo permite que os pilotos assustados respondam reflexivamente a situações de emergência. E finalmente o Tenete-coronel Dave Grossman desenvolveu a  Killologia que através de condicionamentos clássicos, operativos trouxe a possibilidade do indivíduo de despertar e condicionar o guerreiro interno.

Assim, a killologia está ligada a psicologia comportamental se concentrando na criação de técnicas para  estudar e modificar o comportamento observável por meio da manipulação sistemática de fatores ambientais, modificação de comportamento no campo da violência, paz e conflito. Ao longo da história, exércitos e nações tentaram alcançar níveis cada vez mais altos de controle sobre seus soldados, e o reforço e a punição sempre foram manipulados para isso. Mas isso foi feito pela intuição, meio cega e não sistemática, e nunca foi verdadeiramente entendido. No século XX isso mudou completamente, já que o desenvolvimento sistemático do campo científico da psicologia comportamental tornou possível uma das maiores revoluções na história do combate humano, permitindo que as taxas de ataque efetivo fossem aumentadas de uma base de 20% ou menos na Segunda Guerra Mundial, para mais de 90% entre os exércitos modernos e devidamente condicionados.

 

Condicionamento social da não reação




Sanford Strong autor do livro: Defenda-se. Um Manual de Sobrevivência ao Crime Urbano, foi policial durante trinta anos nos Estados Unidos, e depois começou a dar aulas sobre autodefesa no cenário urbano. Uma coisa que ele conta em sua obra que toda vez que ele falava nas aulas sobre a necessidade de assistir vídeos  e noticiários policiais onde as vitimas são atacas, ou ensinava técnicas mais brutais como furar olhos, seu publico o olhava espantados como se achassem loucura tanta violência. Infelizmente quando dava aula eu também tive a mesma experiência repetidas vezes. É muito estranho, o aluno entra no curso de autodefesa achando que você vai ensinar alguns movimentos mágicos que ira livra-lo de qualquer situação, contra qualquer oponente. Não importando o numero, o peso, sexo ou altura, se está armado ou não. A maioria não entende que apesar de aprender a técnica, a brutalidade, ferocidade e determinação tem que partir do próprio aluno.  O que um verdadeiro professor de autodefesa tenta despertar em seu aluno é justamente a “determinação em uma situação extrema”.


Veja um exemplo: na faculdade eu tinha um colega que era casado com uma mulher muito bonita, uma loira alta de olhos azuis. Um dia ele me contou que na época que ela era estagiaria em um escritório de advocacia foi vítima de uma tentativa de estupro.  O dono do escritório sempre a chamava para tomar café e para almoçar, e ela sempre dispensava educadamente falando que levava o próprio almoço. Meses passaram até que um dia no final do expediente só estava ele o o dono e ela no escritório, na hora que ela ia sair, ele agarrou pelo braço, e puxou contra seu corpo e falou: Hoje você não escapa. A moça deu uma joelhada no testículo, quando o agressor se encolheu de dor, ela rapidamente pegou uma cadeira do escritório que estava próxima e tacou nas costas dele, depois fugiu e chamou a policia. Imagine se ela não tivesse essa determinação em reagir para preservar a sua integridade física, se ela paralisasse.


Por isso que devemos nos conhecer, fazer um auto exame antes que a crise apareça. Pois se você não tiver determinação para agir com violência em determinada situação, não adianta você portar nem mesmo um fuzil. Você estará em risco e os entes queridos que dependem de você também.


Particularmente o condicionamento operante, a fim de assegura a capacidade do guerreiro de matar, sobreviver, e ter sucesso na missão, em cenários de combate extremo. Os psicólogos sabem que esse tipo de poderoso “condicionamento operante é a única técnica que influenciará de maneira confiável o processamento primitivo do mesencéfalo de um ser humano assustado, assim como os exercícios de incêndio condicionam crianças em idade escolar a reagir adequadamente durante um incêndio e repetitivo estímulo-resposta. O condicionamento em simuladores de voo permite que os pilotos assustados respondam reflexivamente a situações de emergência.

Porém assim como temos o condicionamento positivo para melhorar o desempenho do combatente urbano, aqueles no poder, seja político, religioso, mídia, ou qualquer tipo de dogma sempre utilizam o condicionamento negativo contra impulsos violentos, como sentimento de culpa, leis desarmamentista, filosofias pacifistas hipócritas, e todo tipo de coisa para relacionar a luta, a defesa, a um ato imoral, transformando o cidadão a se tornar um cordeiro para imolação.  Enquanto a subserviência e a aceitação da agressão e dos insultos como virtude. os conceitos comportamentais básicos de recompensas, punições e treinamento repetitivo para moldar ou controlar. Um bom exemplo é a mídia constantemente doutrinando juntamente com autoridades a população a não reagir, a não ter uma arma.



Lógico, uma vez que você foi rendido não há reação, mas uma coisa é você saber a hora que não deve reagir, outra é você aceitar o condicionamento da não reação. Imagine um agressor se aproxima da mulher mostra uma arma na cintura, e manda que a mulher o acompanhe até um terreno baldio, as chances dela como vítima passiva serão mínimas depois que ele obter o que quer. É essencial reconhecer que bons fins foram e continuarão a ser alcançados através do combate. Muitas democracias devem sua existência ao combate bem-sucedido. Poucos indivíduos negarão a necessidade de combater a Alemanha nazista e o Japão imperial na Segunda Guerra Mundial. E em todo o mundo o preço da civilização é pago todos os dias pelas unidades militares em operações de manutenção da paz e forças policiais domésticas que são forçadas a se envolver em combate corpo a corpo. Tem havido e continuará existindo tempos e lugares onde o combate é inevitável, mas quando uma sociedade requer que sua polícia e forças armadas participem do combate em um cenário como o nosso país com mais de 120 facções criminosas (acesse o Confac para ver o numero atualizado de facções no Brasil clicando aqui) uso da violência extrema não é só inevitável como necessário.





Obras indicadas:

Livros:





Série:







Filme:






Conclusão



O cidadão normal enfrenta resistências internas de cunho fisiológico, psicológico, moral, religioso e social quando se fala em reação violenta contra uma outra pessoa. Mas como sabemos em um cenário de crise como o nosso com milhões, de  homicídios, latrocínios, estupros e roubos é impossível pensar em se proteger sem levar em conta a necessidade em algum momento de matar para poder salvar a própria vida ou de um ente querido.

Por isso a necessidade de se fazer um auto exame para saber se realmente você seria capaz de acabar com uma vida. Pois não adianta fazer inúmeros cursos táticos, os melhores cursos de autodefesa com os melhores professores, portar três armas, se você não tiver capacidade de despertar o seu primitivismo com toda a ferocidade de maneira brutal em um cenário de crise. Isso tem que vir de dentro do combatente, por isso que muitos grupos operacionais de elite fazem os aspirantes passarem por situações estremas, para separar aqueles que tem determinação, daqueles que fogem, que "pedem pra sair". Então  não espere os lobos aparecerem faça um auto exame e trabalhe em cima disso, e leia nossos artigos sobre killologia clicando aqui. Bons estudos.


Opinião de Frank Castle sobre a "lei do abate": Demorou!

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Prof. Marcos Antônio Ribeiro dos Santos

  

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