sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Espingarda: Protegendo seu lar e arrancando cabeças - Parte 2




Na primeira parte da matéria conhecemos essa magnifica arma, que acompanhou homens em no velho oeste selvagem, em diversas guerras e até hoje utilizada pelo seu grande poder de destruição por forças militares e policiais do mundo todo e militares. Agora vamos conhecer a sua  estrutura e  funcionamento


Anatomia e funcionamento



 
Basicamente, as principais peças de uma espingarda de modelo simples, como as espingardas de um só cano e de tiro unitário, são:
cano com a câmara e o extrator; telha e a coronha; caixa de mecanismos com gatilho, percussor, cão, molas e os pinos de fixação, bem como o sistema de abertura do cano.




Cano com câmara e extrator: O comprimento do cano varia com as características do projeto e com a destinação que é dada à arma, apresentando, geralmente, variações compreendidas entre 500 mm e 800mm. Importante salientar que, conforme o inciso VI do art 16 do R 105, são de uso restritos “armas de fogo de alma lisa de calibre doze ou maior com comprimento de cano menor que vinte e quatro polegadas ou seiscentos e dez milímetros” (BRASIL, 2000). Nas espingardas de retrocarga, na parte posterior do cano, encontra-se a câmara, destinada a alojar os cartuchos. 



As câmaras, nas espingardas modernas, apresentam comprimentos que podem ser de 70mm ou de 75mm. As câmaras mais extensas são para a utilização de cartuchos Magnum, naturalmente mais potentes. 


É importante observar que, nas espingardas, os cartuchos não ocupam toda a extensão da câmara, pois os cartuchos com fechamento em “estrela” - sobre o qual estudará mais a frente - necessitam desse espaço para a abertura do estojo. Junto à parte posterior da câmara encontra-se o extrator, peça que promove a retirada do estojo deflagrado com a abertura do cano. Na parte anterior dos canos, geralmente verifica-se o choke que é uma pequena diminuição (estrangulamento) do diâmetro interno do cano, com vistas a melhorar o agrupamento dos projéteis (balins). 



A telha e a coronha: Como as espingardas são projetadas para efetuarem disparos utilizando-se as duas mãos e apoiadas no ombro, a coronha consiste em uma de suas peças fundamentais, sendo estudadas o seu comprimento, altura e a sua curvatura. Na parte posterior da coronha encontra-se a chapa da soleira que, além de proteger a coronha, podem dar maior aderência ao ombro e diminuir o impacto provocado pelo recuo. A telha serve de suporte para uma melhor pegada e posição de tiro.

Caixa de mecanismos: A caixa de mecanismo irá conter todos os mecanismos de disparo e abertura do cano, sendo que as principais peças nelas montadas são: gatilho, percussor, cão, molas e os pinos de fixação.



Nota:  Alguns modelos de espingardas de um cano e tiro unitário apresentam sistemas de segurança contra disparo acidental.
Os principais modelos de espingardas de tiro unitário são as espingardas de cano único, de canos duplos paralelos e de canos duplos sobrepostos. 

No Brasil, ainda é comum à utilização de espingardas de antecarga (espingardas de soca) e percussão extrínseca, a maioria delas de produção artesanal. Nesse modelo de arma, a pólvora é introduzida pela boca do cano e, posteriormente, a bucha e os balins. A iniciação da pólvora acontece pela detonação de espoleta colocada em uma peça, comumente chamada de “ouvido”, que permite que a chama e os gases aquecidos da detonação da espoleta atinjam o interior da câmara, iniciando a queima do propelente. 

Nos modelos de espingardas de repetição, o sistema mais comum é o sistema Pump Action ou sistema de corrediça, que foi utilizado nas espingardas da Winchester - modelo 1897. Outro exemplo desse sistema é o da espingarda Pump CBC 12., Nesta arma, a telha que, naturalmente, é o apoio da mão do atirador apresenta também a função de movimentar o mecanismo do ferrolho, pela ação deslizante da telha e das hastes da corrediça, retirando o estojo vazio ou o cartucho que se encontra na câmara e a introdução de um novo cartucho. Nessa arma, os cartuchos são armazenados em um tubo de depósito, localizado abaixo do cano. 



Nota: Em outros modelos de diversos fabricantes, os cartuchos são armazenados no carregador do tipo cofre ou caixa (SPAS 15), ou em depósito localizado no corpo da arma.
Outro sistema de espingarda de repetição é por “ação mauser”, onde uma alavanca ligada ao ferrolho promove a extração e introdução de um novo cartucho. 

Com as novas tecnologias, surgiram as espingardas semi-automáticas, como a “Browning A-5”, e as que operam em sistema de repetição ou semi-automático como as espingardas “Benelli M3” e “M4 super 90”, apresentando ainda o ferrolho de cabeça rotativa para o trancamento deste na câmara, tecnologia empregada nos “fuzis Colt”, “modelo M 16” entre outros. 



Classificação das espingardas: Alguns autores classificam as espingardas em: 

Espingardas de 1.ª geração: São as espingardas de tiro unitário, de um único cano ou de canos duplos dispostos paralelamente um ao outro ou sobrepostos. 



Espingardas de 2.ª geração: Nessa categoria classificam-se as espingardas de repetição como a pump CBC 12, ou Mosberg 590.


Espingardas de 3.ª geração: São as espingardas semiautomáticas, como a espingarda Browning A-5. 


Espingardas de 4.ª geração: São as espingardas que podem atuar tanto no sistema semiautomático quanto no sistema de repetição, como a Benelli M3 Super 90, e versões posteriores. 




Nota: Vale relembrar que ainda há as armas mistas ou conjugadas, aquelas que apresentam um ou mais canos de alma lisa e um cano de alma raiada. Exemplo: as espingardas do tipo Drilling, que possuem três canos, onde se combinam, geralmente, dois canos de alma lisa paralelos com um cano de alma raiada conectados em um mesmo sistema de disparo. 

Entre as armas de dotação das forças armadas de diversos países estão espingardas que operam em sistema automático, ou seja, estão aptas para efetuarem rajadas, a exemplo da espingarda AA-12 que apresenta a opção de usar um carregador do tipo caixa com 8 cartuchos ou um carregador tipo tambor ou caracol com 20 ou 32 cartuchos (como aqueles empregados nas primeiras submetralhadoras Thompson, de calibre .45 ACP, imortalizado pelos filmes policiais como “Os Intocáveis”. Esta arma, que já aparece em uso em filmes recentes, possui seletor de tiro com a opção da posição “travado”; “tiro intermitente” e “automático”. A cadência de disparo teórica em sistema automático é de 360 tiros por minuto, o que acarreta uma grande dispersão de balins sobre o alvo. 

Alcance útil: O alcance útil em tiro produzidos com espingardas é a distância limite do tiro eficaz, isto é, a distância além da qual os chumbos não possuem mais energia capaz de causar lesões consideráveis. A distância efetiva de utilização das espingardas é relativamente pequena, em função do formato desfavorável dos grãos esféricos (balins) (fazer hint:, conjunto de esferas que são expelidos quando do disparo). que causam uma grande diminuição na velocidade e, consequentemente, na redução da energia cinética. Desta forma, o tamanho dos grãos de chumbo são de fundamental
importância na determinação do alcance útil e no grau das lesões ou danos por eles produzidos. 
O alcance útil, nas armas de alma lisa, é determinado pela dispersão dos balins e pelas possibilidades práticas de sua utilização pelo atirador. Nas espingardas, o diâmetro do círculo de dispersão ou agrupamento é controlado pelo choque (FIG. 30). 

Assim, o alcance útil teórico (na prática, esses valores são menores) é: 
o choque pleno (full choke) usado para tiros entre 44,5m e 54,5m (45 e 55 jardas);
o choque modificado (modified choke) para tiros entre 24,75m e 44,5m (25 a 45 jardas);
o choque cilíndrico modificado (improved cylinder) é usado para tiros até 34,65m (35 jardas);
o choque cilíndrico apresenta alcance útil da ordem de 30 metros. 
Estas são as distâncias que, de acordo com o choque do cano de uma espingarda, a mesma ainda possui alcance útil.
Com a utilização de projéteis singulares, o alcance útil é da ordem de 100 a 110 metros. 



Na próxima página vamos ver as melhores espingardas para defesa doméstica.



http://www.centrodeestudomars.com/2019/01/espingarda-parte-3.html

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